Pena que na conclusão da escalada começou a chover, o Salto Angel deve ter triplicado o seu volume de água. Às vezes mal conseguíamos ver o colega escalando logo acima, em razão da forte neblina e da cortina de água das pequenas cachoeiras que iram surgindo ao lado da queda principal. No cume descansamos um dia e também não tivemos uma boa vista, o mesmo acontecendo durante o rapel, que foi feito por uma via equipada bem mais à esquerda da cachoeira, fora da abóboda.
Mas o mau tempo não tirou a nossa alegria de ter terminado a escalada com sucesso, mesmo debaixo de uma garoa gelada o cume nos encantava com as formações rochosas esculpidas pelo vento entre a neblina, e um sem fim de pequenas flores coloridas, em especial as insetívoras heliânforas, espécies endêmicas daquelas ilhas do tempo que estão isoladas no alto dos tepuyes.
Um dos momentos especiais foi quando nos reunimos debaixo de uma grande rocha, para evitar a chuva, e cada um falou um pouco do que significou toda a experiência que havíamos acabado de viver, era nítido o estado de felicidade e alívio em cada um de nós por tudo ter dado tão certo. Naquele momento fizemos uma homenagem especial, dedicamos essa conquista em memória do nosso querido companheiro de escaladas Bernado Collares, que apenas um mês antes
havia perdido a vida durante a escalada do Fitz Roy, na Patagônia argentina.
A Expedição Brasil Salto Angel foi patrocinada pelo próprio Waldemar Niclevicz, graças ao dinheiro que arrecada realizando palestras para empresas, e teve o apoio das cordas Edelweiss. Mais informações www.niclevicz.com.br.

















