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A última fronteira

A natureza comanda a cena na Antártida, único continente sem países. Pesquisadores de várias nacionalidades construíram ali suas bases científicas

Texto: Sylvia Marie Synclair

foto: Peter Milko
Momento de calma: Rochedos do Estreito de Lemaire refletem no mar uma das paisagens mais impressionantes da Antártida


O rádio acabara de anunciar que o radar havia localizado o primeiro iceberg da rota. Saímos para o convés à procura de uma montanha branca e a única coisa que vimos foi um ponto longínquo na imensidão azul do mar. À medida que o navio se aproximava, porém, o iceberg ia crescendo. Lembrei do drama dos passageiros do Titanic, que, em 14 de abril de 1912, esbarrou em um iceberg e afundou em duas horas. Foram mais de 1.500 pessoas congelando nas águas do Atlântico Norte. Mas o navio norueguês em que estávamos era tão ágil que facilmente poderia contornar qualquer obstáculo. Foi o que fez.

O iceberg, que dez minutos antes era um ponto, agora tinha a altura de um prédio de quatro andares, com as ondas do mar batendo insistentemente nas bordas e arredondando seu formato bizarro, todo recortado. Enquanto fazíamos o contorno, ouvi um grito: “Pingüins, pingüins!” Realmente, dava para ver algumas manchas escuras se mexendo sobre a superfície branca. Eram duas dúzias de pingüins-adélie divertindo-se e escorregando no seu iceberg privativo.

Numa mistura de viagem de cruzeiro e mini-expedição, havíamos embarcado no navio Nordnorge, que zarpara do porto de Ushuaia, a capital da Terra do Fogo, na Argentina, com o objetivo de sentir de perto o único continente sem países, sem cidades, onde a natureza domina e fascina os frágeis humanos que ali insistem em pisar. Como seria a vida dos pesquisadores que vivem no ponto mais isolado do planeta? Qual a sensação de estar longe de tudo e de todos?

A bordo do navio com tripulação norueguesa nos postos de comando e filipinos no trabalho de apoio, havia mais de duzentos passageiros. Ushuaia, que, até 1982, tinha apenas 16 mil habitantes, hoje soma 60 mil pessoas. A pequena cidade argentina, nascida de uma colônia penal dos anos 20, tornou-se um centro turístico. Para tanto, aproveitou a proximidade das montanhas nevadas andinas para a prática do esqui e o charme da ser a cidade mais austral do mundo. O presídio virou um museu no centro da cidade.

Ondas Gigantescas

Saímos do Canal de Beagle para o mar aberto, com a Argentina de um lado e o Chile do outro, perto das ilhotas cuja posse quase deflagrou uma guerra entre os dois países em 1978. Seriam dois dias para a travessia da temida Passagem de Drake, onde os oceanos Atlântico e Pacífico se encontram, e a chegada na Antártida propriamente dita. A passagem é famosa por suas ondas gigantes, ventos fortíssimos e más condições de tempo. O mar ali é considerado o mais perigoso do planeta. Mas estávamos num navio moderno, construído em 1997 na Noruega, com tecnologia para as regiões polares e até estabilizadores de balanço para evitar o desconforto dos passageiros mais suscetíveis.

No segundo dia de navegação surgiu o primeiro iceberg, precedido por dezenas de albatrozes e skuas, as aves que mais circulam pelos mares do Sul. Nossa primeira parada seria a Ilha Rei George, parte do arquipélago subantártico conhecido por Shetlands do Sul, no qual várias bases de pesquisa de diversos países, inclusive do Brasil, foram instaladas.

Com o navio fundeado nas proximidades da base polonesa Arctowski, estávamos longe da base brasileira Comandante Ferraz, que fica do outro lado da baía. Era nossa intenção visitá-la. Acompanhados do ornitólogo chileno Manuel Marin e do chefe da segurança no leme, o impassível norueguês Kai Albrigtsen, usamos um barquinho de motor de popa de oito lugares para atravessar a Baía do Almirantado. O tempo encoberto e as ondas faziam a água salgada, com temperatura de 2 graus centígrados, respingar no corpo. Quinze minutos depois, mãos, pés e rosto estavam duros que nem pedra.

Outros quinze minutos e avistamos os contêineres verdes da base brasileira, no sopé de uma montanha de 300 metros. O desembarque foi rápido na praia de pedra. Atrás de uma das máquinas estacionadas na praia surgiu, de camiseta e sorriso no rosto, o simpático subchefe Oliveira da Cruz. Convidados a entrar na base, deixamos as roupas na sala de secagem, que parecia uma sauna. Naquele momento, chegaram três estudantes gaúchos da Unisinos que estavam na base para pesquisar aves. Vinham pela trilha de neve, também de camiseta e sandálias.

Não me contive e perguntei se não estavam passando frio. Quem respondeu foi a médica da estação, Sandra Maciel, de 28 anos, que zelava pela saúde de todos. “É que estivemos o inverno inteiro aqui, para nós é verão e esses quatro graus são uma bênção de calor para nós.” Ela explicou que, como era domingo, também não tinham que sair em excursão com as roupas pesadas para verificar o andamento dos experimentos científicos. Os 46 brasileiros que estavam alojados na base podiam relaxar, levantar peso e correr na academia montada em um dos contêineres. Podiam até jogar pingue-pongue para enfrentar os poloneses da base próxima.
foto: Peter Milko
A base Comandante Ferraz recebe pesquisadores de várias universidades brasileiras, como da Unisinos, no Rio Grande do Sul

A vocação de pesquisa na Antártida é evidente. Em 1961, o Tratado da Antártica internacionalizou o continente e regulamentou o seu uso exclusivo para pesquisas com fins pacíficos. Atualmente, 26 países, entre eles o Brasil, possuem bases no continente, que envolvem desde a mensuração do famoso buraco na camada de ozônio da atmosfera, detectado sobre a Antártida, até os estudos de ecossistemas, o impacto do ecoturismo e o comportamento animal.

O químico César de Castro Martins, da Universidade de São Paulo, por exemplo, estava fazendo uma avaliação do impacto de resíduos de combustíveis na Baía do Almirantado. Seu colega, César Rodrigo dos Santos, da Unisinos, estudava o efeito da presença humana nas proximidades dos ninhos de skuas e sternas. O objetivo de ambos era avaliar o impacto no meio ambiente da crescente presença humana na região.

A conversa agradável no refeitório da base brasileira foi interrompida pela chegada do chefe da estação. Como não tínhamos pedido autorização prévia para a visita, ele proibiu fotografias e entrevistas. Creditei sua intransigência ao regime militar da Marinha que dá as regras na estação, e talvez à derrota do Flamengo no dia anterior – quem sabe? A visita continuou do lado de fora, onde, depois dos contêineres de combustíveis, Oliveira Cruz nos mostrou o esqueleto de uma baleia que o saudoso oceanógrafo Jacques Custeau montou em 1996, com a ajuda de crianças de vários países, no intuito de sensibilizar o planeta com a solidariedade dos povos.

Atravessamos a baía de volta ao nosso navio com o mesmo tempo fechado e o vento fustigando. Sob um chuvisco constante, percorremos a praia de pedras soltas da base polonesa até o bom senso indicar a necessidade de um refúgio. Na aconchegante sala de madeira da base polonesa, o chefe de logística Tamas Janecki, 35 anos, explicava como era possível mergulhar na Antártida. “Estamos estudando os peixes da baía e, para isso, usamos a chamada roupa seca de mergulho, que isola o corpo do contato com a água gelada”, disse. Ao lado dele, duas jovens e simpáticas biólogas polonesas, Maria e Kataryna, falavam da emoção de ver icebergs por baixo.

Barreira de gelo

À noite, o clima melhorou e o céu ficou mais limpo. Em menos de meia hora, por volta das 22 horas, o sol intenso iluminava toda a baía, transformando a paisagem, antes sombria, em uma maravilha branca e amarelada – nessa latitude, nos dias de verão, o sol quase não se põe. O capitão do Nordnorge decidiu realizar um percurso extra e se aproximar da base brasileira, em homenagem a nós.

Nosso plano de navegar mais para o sul, pela costa da Península Antártica, estava ameaçado pelas notícias de que o gelo do inverno ainda não tinha se dispersado completamente. Surpreendentemente, em pleno dezembro, a rota estava coalhada de icebergs. Algo semelhante ocorreu com o famoso explorador polar britânico Ernest Shackleton (1874-1922) que, em 1915, teve o seu navio Endurance preso no gelo do Mar de Weddell por 281 dias até ser destruído pelo gelo.
foto: Peter Milko
Na proa do navio, a visão do primeiro iceberg

Por cautela, o Nordnorge seguiu para o extremo norte da Península Antártica, com o intuito de avistar a barreira de gelo flutuante, colada ao continente, e dar tempo do gelo se dissipar mais ao sul. Mas o mau tempo e a falta de visibilidade só permitiu que avistássemos ao longe os imensos icebergs tabulares que se desprendiam da barreira de gelo – podiam ter alguns quilômetros de tamanho! Rumamos então para a base argentina Esperanza. Ali seria a primeira vez que pisaríamos de fato no continente antártico.

O desembarque foi feito no mar e nossas providenciais galochas de borracha funcionaram, evitando o congelamento dos pés e afastando pedaços de gelo que o vento empurrava para o ancoradouro. Fomos recepcionados por um suboficial. Apresentado como Rodolfo, ele estava há 11 meses na estação, com a mulher e os filhos de 8 e 3 anos. Naquele momento, ouvi um som de motor vindo do céu: era um avião! Tratava-se de um Twin Otter canadense, que trazia pessoas, mantimentos e correio da base argentina de Marambio, e deveria anevissar, ou seja, pousar na neve com esquis no lugar de rodas, sobre a geleira Buenos Aires.

Ao lado da base, tivemos a oportunidade de conhecer a colônia de pingüins-adélie camuflada entre as rochas. Os animais tinham acabado de chegar de águas mais quentes, vindos do Norte, e os casais se revezavam para chocar os ovos, aguardados para eclodir em meados de janeiro. Tranqüilos, nem tomaram conhecimento da nossa presença.
Percorremos as várias instalações da base argentina, que incluía até uma escola! Em plena aula de espanhol, a professora fez uma pausa para podermos conversar com as crianças. Ela é mulher de um dos militares da base e confessou que é raro receberem visitas

A base Esperanza parece uma pequena cidade e povoá-la foi o objetivo do governo militar ao trazer famílias inteiras para viver ali nos anos 80. Pretendia-se, na época, garantir o direito da Argentina sobre um pedaço da Antártida por um processo de “colonização”. Esse conceito foi abandonado e a própria Argentina concordou com a proibição de nascimentos na Antártida, como já havia sido estabelecido pelo Tratado da Antártica.

A boa notícia do dia foi dada via rádio por um navio russo que estava mais ao sul, informando que o pack ice, ou a camada de gelo flutuante, tinha se dissipado e era possível navegar sem perigo. O Nordnorge apontou para o sul, e, durante toda a noite, navegou rumo ao Estreito de Gerlache, no coração da Península Antártica.
foto: Peter Milko
A base Esperanza parece uma pequena cidade; no passado, argentinos queriam iniciar ali um processo de "colonização"

Agora sim, estávamos rodeados de colônias de pingüins, orcas e outras baleias, lobos marinhos e focas-de-weddel, além de avistar as montanhas rochosas que saíam do tapete branco do continente! Adentramos o trecho mais atraente da Península. O desembarque revelou milhares de pingüins da espécie bico-laranja, se degladiando por pedrinhas para seus ninhos. Num barulho incessante, eles só se acalmavam quando uma skua voava baixo, espreitando para capturar um ovo mal protegido. Com as águas calmas espelhando o céu azul, os icebergs revelavam a mágica da Antártida: o isolamento completo da civilização, onde a natureza reina indomável.

Ponto de Encontro

Seguimos um pouco mais ao sul até Port Lockroy, uma base inglesa transformada em museu, que se tornou o ponto de encontro das embarcações que navegam pela Antártida. Cruzamos com o navio russo que tinha nos informado sobre a melhoria das condições de navegação. Observamos a praia que Amyr Klink escolheu para passar o inverno de 1989, preso no gelo, e tive que dar razão a ele pela escolha: é o local mais bonito e ao mesmo tempo protegido, além de ser o ponto de passagem de todos os barcos. Enquanto desembarcávamos em Lockroy, vimos pingüins-de-bico-laranja que ocupavam cada centímetro da ilhota, deixando um odor fétido de suas fezes no ar. Mas nada conseguiu atrapalhar o belo cenário, com águas calmas, um razoável calor de 5 graus e o mais importante: sem vento. No interior do museu, uma lembrança de como os primeiros exploradores enfrentaram o continente gelado, como era a cozinha, o que comiam, quais eram seus equipamentos.

A barreira de mar congelado estava mais ao sul, permitindo nosso avanço no dia seguinte. Mas seus sinais estavam à vista: à medida que nos aproximávamos do fotogênico Estreito de Lemaire, o mar apresentava cada vez mais panquecas de gelo flutuando. As alta montanhas e o canal estreito de Lemaire confirmaram a fama de paisagem mais impressionante da Península. De repente, sem aviso, o céu ficou branco e um vento avassalador se voltou contra nós. Como num passe de mágica, o paraíso virou um inferno; o vento estava tão potente que me impediu de andar para a frente no convés do navio! Apesar dos 5 graus positivos, a sensação térmica era de menos 10 graus. No extremo sul do Canal de Lemaire, nossa progressão estava bloqueada pelo mar congelado, que se perdia no horizonte e fundia-se com o branco do céu. A única referência eram três mastros ao longe, pertencentes a um veleiro holandês, provavelmente preso no gelo.

Demos uma autêntica “meia volta” e registramos nossa máxima latitude sul: 64 graus e 46 minutos, 110 km do Círculo Polar Antártico. Apontando a bússola pela primeira vez para o Norte, seguimos o caminho inverso e, novamente, o imprevisível clima antártico nos surpreendeu. Quando já estávamos nas cabines comentando os acontecimentos do dia e identificando os animais avistados, um raio de sol rasante penetrou pela escotilha anunciando a novidade. Na despedida, as nuvens no horizonte deram uma brecha para um pôr-do-sol surpreendente, que tingiu de ouro a superfície do mar.
foto: Peter Milko
Viajantes aproveitaram para nadar na água quente do vulcão oceânico

Na última escala antes de encarar a volta para a América do Sul, navegamos para a Ilha Decepção, uma cratera submersa de vulcão ativo que permite aos barcos pequenos entrar navegando. Penetramos dentro da cratera fantasmagórica, por meio de uma passagem de menos de 200 metros de largura. Desembarcamos para ver as ruínas das estações baleeiras (inglesa, argentina e norueguesa), arrasadas com a última erupção do vulcão, em 1967. Apesar do tempo fechado, uma fumaça parecia sair da praia. Ao desembarcar, a confirmação: era água quente de origem vulcânica brotando em pleno oceano antártico! Mais uma indicação de que a natureza dá as regras por aqui. É claro que alguns de nossos viajantes europeus vieram preparados, de maiô e toalha, para experimentar na pele mais um contraste antártico. Como boa brasileira tropical, deixei a constatação do ”prazer” para os nórdicos.

Na volta para a América do Sul, enfrentamos novamente a Passagem de Drake, e visualizamos o ponto de encontro entre os oceanos Atlântico e Pacífico, nas proximidades do Cabo Horn. A má fama do local se confirmou: mais uma vez, do nada, o mar tornou-se revolto, ventos uivantes arrancavam a água do topo das ondas, esbranquiçando a superfície. O vento atingiu força de furacão, de acordo com os instrumentos. Mais uma vez, a região antártica provou sua vocação para os extremos. E que bom que seja assim, pois experimentamos a força da natureza e cooperação dos homens, numa terra sem dono e destinada ao benefício da humanidade.

Os desengonçados que adoram discutir

Pingüins são uma categoria à parte entre as espécies de aves. Só existem no Hemisfério Sul, não voam e, diferentemente de seus parentes voadores, seus ossos são sólidos. Colocam dois ovos em geral, exceto as duas espécies gigantes, o pingüim-rei e o pingüim-imperador, que se contentam com um. As espécies que fazem ninhos com pedrinhas freqüentemente roubam matéria-prima do vizinho, criando alvoroço nas colônias e discutindo acaloradamente com gritos e bicadas. Usam o rabo como terceiro apoio para caminhar e subir no gelo, evitando escorregar para trás. Quando sentem calor, abrem a boca para deixar entrar o ar frio. Passam constantemente óleo pelo corpo, que fica numa glândula para isolar melhor as penas do frio e se limpar. Conseguem mergulhar por até sete minutos. A maioria das espécies come krill, o camarão abundante que é a base alimentar de praticamente todos os animais que circulam pelas águas antárticas. Podem ser extremamente rápidos na água, saltando como se fossem golfinhos. Porém, em terra, são extremamente desengonçados e parecem que vão cair a qualquer momento. Vivem no máximo 25 anos.

O navio norueguês

Construído em 1997 na Noruega, o navio Nordnorge custou US$ 100 milhões. Possui dois motores principais de 6 mil cavalos e mais dois motores auxiliares que geram energia para o consumo a bordo. Navega a 15 nós em cruzeiro, consumindo mil quilos de óleo combustível por hora. Tem 350 toneladas de lastro, que servem basicamente para o barco – de oito andares – não virar. Com 350 pessoas a bordo, o navio gasta 15 toneladas de água, fornecidas por um dessalinizador de água do mar. O capitão Kjell Skoldvoer, de 58 anos, já esteve oito vezes na Antártida. Nessa viagem, estavam a bordo, como passageiros, 138 alemães, 25 britânicos, 14 australianos, 11 noruegueses, 10 neo-zelandeses, 7 italianos e 6 dinamarqueses. Para saber mais: Nascimento Turismo (tel. 11-3156-9900); Designer Tours (tel. 11-223-3799) e LanChile (tel. 11-3259-2900).

Terra do gelo

Abaixo da latitude 60 Sul, estende-se o imenso continente branco da Antártida. Está coberto por uma camada de gelo com espessura média de 2 km e volume de cerca de 30 milhões de km2. A única exceção é a Península Antártica, que não está todo o tempo congelada. As baixas temperaturas – inferiores a 0o C no verão e 80º C negativos no inverno – não permitem que o continente abrigue moradores permanentes. Há somente estações de pesquisa de vários países, ocupadas por cientistas. A camada gelada é importante para o equilíbrio ambiental do planeta: além de concentrar em torno de 70% das reservas de água doce da Terra, suas variações de extensão e espessura interferem no nível dos oceanos

A incrível epopéia de Shackleton

A viagem do navegador inglês Ernest Shackleton poderia ter saído da mente de um autor de livros de ficção, mas foi real. Em 1914, Shackleton e seus homens (foto) rumaram para as terras geladas do Pólo Sul com o objetivo de realizar a primeira travessia a pé do continente antártico. Mas o destino do Endurance, o navio do explorador, foi bem outro. Preso no gelo, o barco foi destroçado, deixando os homens sem poder voltar para a Europa. Depois de cinco meses flutuando sobre gigantescos pedaços de gelo, os homens conseguiram chegar à ilha Elefante. Sabendo que a única forma de sobreviver era navegando até a parte habitada mais próxima, na ilha Geórgia do Sul, Shackleton lançou-se ao mar em uma diminuta barca, acompanhado por um grupo de peritos em navegação. Os homens conseguiram chegar à ilha, mas lhes custou quatro meses, pela turbulência do clima, resgatar os 22 tripulantes que ficaram na ilha Elefante. Apesar do frio, da fome, do desespero e até da loucura, todos os expedicionários sobreviveram. As palavras de Shackleton após o resgate resumem a intensidade da experiência: “Nem uma vida perdida, e olha que estivemos no inferno”

Antártida
Área: 14.108.000 km2
Temperatura mínima registrada: 89,2º. C negativos, estação Vostok
Península mais extensa: Península Antártica, 1,3 mil km
Países com base científica: 26

 


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