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Do nordeste para o mundo

Coadjuvante da literatura de cordel, as gravuras feitas a partir da matriz de madeira ganharam luz própria e reconhecimento internacional nas mãos de mestres tradicionais

Texto: Esdra Campos

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Nos recônditos mais remotos do sertão de Pernambuco, Paraíba e, principalmente, Ceará, nasceu, entre gente humilde e sem recursos, uma manifestação artística típica brasileira que rompeu barreiras, superou fronteiras e ganhou o mundo. A xilogravura popular nordestina, cuja origem está diretamente ligada à literatura de cordel, conquistou públicos variados, migrou para outros suportes, incorporou tecnologias, viajou o país e o mundo e hoje frequenta os mais conceituados salões e galerias de arte. A técnica milenar de trabalhar a madeira, sulcando-a e criando formas para ser a matriz que dá origem à gravuras, encontrou no nordeste brasileiro uma expressão muito própria e particular e já há mais de 50 anos abandonou o papel de coadjuvante da literatura de cordel para ter luz própria e artistas que fazem sua história e seu presente.

É em Juazeiro do Norte, região do Cariri, no Ceará, que se encontra o maior polo da produção tradicional de xilogravura popular. “Juazeiro é uma das mais eloquentes amostras residuais das manifestações culturais do Nordeste do Brasil”, afirma o xilógrafo e cordelista Abraão Bezerra Batista. É lá também que está a Lira Nordestina, a mais antiga gráfica de cordel do país, que utiliza máquinas e técnicas do início do século passado, e é espaço de encontro dos gravadores e poetas. Além de um ponto de difusão e venda de cordel e xilogravura, a Lira estimula o surgimento de novos talentos. Um trabalho de teimosia de alguns mestres juazeirenses, como Stênio Diniz e Abraão Batista, que, ao lado de Francorli e Zé Lourenço, ajudam a formar novas gerações de gravadores.

Fruto das mãos de artesãos do povo, do cotidiano e do imaginário sertanejo, a xilogravura surgiu para cristalizar em imagem a narrativa do cordel nas capas dos folhetos. Nas feiras livres, essas capas tinham a função de atrair a imaginação e o dinheiro do freguês.

Nos anos 60, com a chegada da televisão e o aumento dos custos do papel, a literatura de cordel entrou em crise. Mas foi o momento certo para a xilogravura ganhar vida própria. Apoiada no crescente interesse internacional pelo primitivismo nas artes plásticas, os “tacos” (ou clichês, como são chamadas as matrizes de madeira dos folhetos) ganharam a proteção de pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Ao mesmo tempo, as ondas migratórias levaram os nordestinos e a xilogravura popular para todo o país, com representantes importantes nas periferias de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Novas crises vieram, mas a resistência dos gravadores fica clara, por exemplo, no grande volume de informações existentes sobre o assunto na internet, na proliferação de produtos com gravuras e na quantidade de interessados nas oficinas e exposições de xilogravura.

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Conheça outras obras dos mestres da xilogravura, arte que surgiu para ilustrar a literatura de cordel.

foto: Abraão Batista
Abraão Batista


foto: Abraão Batista
Abraão Batista


foto: J. Borges
J. Borges


foto: J. Borges
J. Borges


foto: Jerônimo Soares
Jerônimo Soares


foto: Jerônimo Soares
Jerônimo Soares

 

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